Cena deletada de O Último Olimpiano

Olá semideuses! Segue uma cena deletada de O Último Olimpiano, escrita e divulgada pelo próprio Rick Riordan em seu blog. Abaixo temos toda a tradução do post do autor:

Recentemente, no Twitter, mencionei uma cena excluída de O Último Olimpiano, na qual Percy Jackson se depara com sua velha inimiga Nancy Bobofit, a garota mortal que o intimidou em O Ladrão de Raios. A cena foi cortada do livro para manter a narrativa em movimento, mas sempre gostei. Esta semana, conversei com a Publisher’s Weekly sobre como eu decido quais personagens destacar e deixar de lado em cada livro. Como uma extensão dessa entrevista, a cena deletada de Nancy Bobofit é apresentada abaixo:

Percy, Thalia, Annabeth e Grover estão indo para o Central Park para lutar contra os Titãs quando eles se deparam com um grupo de mortais inconscientes. Como você deve se lembrar, o deus Morfeu colocou todos os mortais em Manhattan para dormir antes que o exército de Cronos atacasse a cidade:

As luzes da cidade estavam piscando. Eu acho que eles estavam em temporizadores automáticos. Os postes de luz no parque brilhavam, fazendo com que as ruas e as árvores parecessem assustadoras – como se precisássemos de mais fantasmas. Thalia parou e ficou tensa, como se estivesse sentindo um cheiro.

— Eu voltarei. Precisa verificar os Caçadores no flanco direito.


Seu arco apareceu em suas mãos e ela desapareceu entre as árvores.

Passamos por cima de corpos de nova-iorquinos adormecidos, levando-os para um local seguro quando possível. Estávamos chegando a uma ponte de pedra no lado norte do parque quando nos deparamos com uma dúzia de crianças, todas caídas perto de uma barraca de pretzel, como se tivessem feito fila para comprar lanches. Grover gritou.

— Percy… Veja.


Ele se agachou ao lado de uma garota com cabelo laranja e sardas. Ela me lembrou um pouco a Clarisse, porque ela era uma menina grande, como se tivesse sido feita para jogar futebol americano. E então meus olhos se arregalaram.

— Oh meus deuses. Esta é… Nancy?


Eu não a via há quatro anos, mas ainda a reconheci. Nancy Bobofit, uma valentona que tornou minha vida miserável na sexta série. Grover e eu havíamos estudado na Yancy Academy e ela nos importunava impiedosamente. Ela estava por perto no primeiro dia em que suspeitei que fosse um semideus.


— Quem é Nancy? — Annabeth perguntou.


— Uma garota que conhecíamos, — Grover murmurou. — Não é uma garota muito legal.


Eu olhei para as outras crianças adormecidas. Alguns eu nunca tinha visto, mas alguns pareciam familiares.


— Esta é a nossa aula de Yancy, — eu disse. — Eles devem ter estado na viagem de verão.


— Sim, — Grover disse. Ele apontou para uma senhora com um vestido florido. — Aqui está a Sra. Watt. Ela sempre acompanhou a viagem de verão a Nova York. Se tivéssemos ficado em Yancy…


Ele não concluiu o pensamento. Nós dois sabíamos que isso era impossível. Não vivíamos vidas normais. Nunca teríamos chegado ao ensino médio sem que monstros nos destruíssem, ou a escola, ou ambos. Ainda assim, era estranho olhar para meus ex-colegas. Eu nunca retrocedi. Depois que deixei a escola, sempre tentei deixá-la para trás para sempre. Além disso, as memórias geralmente eram ruins. Mas olhando para as crianças que continuaram indo, até mesmo a estúpida Nancy Bobofit, senti uma onda de tristeza tomar conta de mim.


— Eles estão bem no caminho da batalha — disse Grover, e olhou para mim para ver o que eu sugeria.


— Temos que movê-los — eu disse. — Debaixo da ponte, talvez. Eles estarão mais seguros.


— Depois de tudo que ela fez para nós, — Grover meditou — meio que serve a ela o direito de ser pisoteada por um exército de titãs.


— Mas não podemos.


Ele suspirou.

— Sim. Você está certo. Talvez… desenhar um bigode nela, pelo menos?


Quatro anos atrás, seria tentador. Agora, percebi que não odiava mais Nancy. Eu era uma pessoa diferente. Ela era uma mortal no caminho do perigo – éramos a única coisa entre ela e a destruição.


— Sem bigodes. — eu disse — Annabeth, me dê uma mão?


Ela estava me estudando com atenção, tentando ler meus pensamentos, mas não disse nada. Ela apenas me ajudou a arrastar o grupo da escola para um lugar seguro.

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